sábado, 28 de dezembro de 2013

NÃO DEIXE A PORTA ABERTA (SEGUNDA PARTE)



Apontei o canivete com força na direção de seu rosto e subi em cima dele tentando prender-lhe as pernas. O homem segurou meu pulso com força fazendo minha mão fraquejar e deixar cair o canivete. Eu tentei mais uma vez me desvencilhar dele, mas não fui bem sucedida. Eu estava fraca demais para continuar lutando, não havia o que eu pudesse fazer para vencer um homem com o dobro do meu tamanho e força, minha respiração agora estava mais fraca, eu pensei que talvez fosse o cansaço que havia me tomado o ar, mas estava errada.

Atirada no chão feito um trapo velho, observei o sangue que se espalhava pelo chão, eu estava me engasgando no meu próprio sangue enquanto ele formava uma piscina a minha volta. Um dos meus últimos movimentos foi olhar para meu estômago, onde estava cravado o maldito canivete do meu irmão. Conseguia sentir minha vida sendo levada a cada expiração que dava, em poucos minutos eu descobriria qual era a religião a estar com a razão, ou apenas seria só isso, o final da minha existência. Depois de mais ou menos 5 minutos de agonia me afogando no sangue, o homem com olhar furioso sorriu, pegou seu machado e acabou com minha dor, meus olhos continuavam abertos, mas minha vida já tinha me deixado.

EPÍLOGO

Ele olhou em volta do corpo da garota e seus olhos continham certo brilho, ele se orgulhava do seu trabalho, jamais tinha cometido nenhum erro, nem na primeira vez em que havia matado uma família e muito menos agora. Mas ele tinha errado desta vez. Não viu a garota telefonar para policia e por isso continuou na casa contemplando sua obra recente. Limpou suas digitais do canivete e o sangue do machado. Saiu do quarto masculino e entrou em todos os cômodos da casa, relembrando cada momento, observando cada detalhe do seu pequeno teatro. Foi até o quarto dos adultos e ficou lá admirando a posição do casal que ele havia colocado, era impossível só ser belo aos olhos dele, na verdade ele sonhava em ganhar um prêmio pela arte bruta que praticava e amava.

Parado em frente à cama do casal ele ouviu a porta da frente ser chutada com força, correu para a sacada do quarto e viu que a casa estava cercada por policiais e que a SWAT subia a escada rapidamente. Não restava escapatória, então ele sentou na cadeira de canto do quarto, acendeu um cigarro e esperou o batalhão de imbecis da policia, eles seriam sua platéia, iriam ver o grande artista que ele era e do que era capaz.
A SWAT entrou no quarto e vários membros do grupo foram para cima do psicopata prendendo-o e o levando para baixo. O homem não compreendia como podiam olhar com repulsa para seu trabalho tão perfeito e o considerarem louco.
George, o garoto que não estava em casa no momento da tragédia estava acompanhado de um agente do FBI no jardim da casa aos prantos, sem entender o porquê aquilo havia acontecido.
O crime sacrifica inocentes para assegurar um prêmio e a luta dos inocentes com tudo isso contraria os esforços do crime. Para maiores precauções, não deixe a porta aberta. 

2 comentários:

  1. Muito bom, realmente fantástico o jeito de descrever a história e os sentimentos dos personagens.

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